Livros Editados
O MISTÉRIO DO ANGOCHE
Quem em Portugal planeou, executou, e ocultou a autoria do ataque terrorista ao navio Angoche nas costas de Moçambique em 1971? O presente livro propõe-se desvendar o enigma.
Moçambique, 23 de Abril de1971, sexta-feira à noite. O navio português Angoche é atacado, incendiado. Por quem? Os ocupantes, 23 elementos da tripulação e um passageiro, desapareceram todos. O Angoche está deserto. Dois dias depois, ao entardecer de domingo, 25 de Abril de1971, uma mulher portuguesa de um bar de alterne é 'suicidada', atirada do 5º andar de um prédio da cidade da Beira, o ‘miramortos’. Um mistério liga os dois casos. Até hoje, nunca apareceu nenhum dos que estavam no Angoche, vivos, mortos, ou quaisquer despojos... um x-files, um ‘ficheiros secretos’ à portuguesa.
ISBN: 978-989-779-678-4 Depósito Legal: 525476//23 Edição ou Reimpressão: 04-2024 (2ª edição)
DOSSIER MAKWÁKWA - RENAMO: uMA DESCIDA AO CORAÇÃO DAS TREVAS
Assassinatos políticos, terrorismo, massacres, (des)informação, propaganda, rapto de portugueses e soviéticos, contactos com o KGB, a vivência com o presidente da guerrilha Afonso Dhlakama, execuções sumárias, espionagem, mistério, e traição contínua, incluindo a eliminação dos dois secretários-gerais da guerrilha, em Pretória e Lisboa, pululam nas páginas do livro e mostram bem toda uma manipulação inerente aos processos militares e políticos que entranham esse coração das trevas do grande continente negro. E não faltam referências ao sombrio papel desempenhado pelas autoridades e serviços militares de informação portugueses - a DINFO - e os seus agentes no terreno, procurando ombrear com a AMI sul-africana, o BND da Alemanha Federal e outros.
Das matas africanas a acção salta para Portugal e Europa ocidental, e toda a trama envolvente, redundando quatro anos depois num regresso a Maputo, após a morte ‘acidentada’ de elementos da delegação em Lisboa, incluindo um antigo embaixador moçambicano, e o fi m misterioso de Samora Machel - aqui também analisado - e toda a subsequente transformação do regime. Afi nal, vai reencontrar um país que nada tem a ver com a terra que antes conheceu, tudo não passa de um tremendo murro nostálgico, numa terra entretanto coberta pelo denso manto da corrupção. Uma cidade cercada pela guerra, entorpecida pelas cálidas águas da baía, e onde não faltam as muitas tentações das sensuais e tórridas mulheres moçambicanas.
Tudo isto jorra impetuosamente no livro, em linguagem escorreita, por vezes ácida, mordaz, a roçar o cinismo. Em suma, um escrito crú, puro e duro.
A óbvia semelhança com pessoas e factos reais nunca é coincidência.
Editor: Europress - Colecção: HISTÓRIAVIVA Lisboa, 2006, 368 pp.; 16 cm X 22,5 cm
ISBN: 9789725592731 - ISBN 972-559-273-5 C.I.: 00000162539 368 pgs. Autor: Paulo Oliveira
https://europresseditora.pt/livraria-online/renamo-uma-descida-ao-coracao-das-trevas/
'Dossier Makwákwa' - René Pélissier in Análise Social, vol. XLII (182), 2007, 333-347

Prometeu, Ptolemeu, Pigmalião e alguns pigmeus
(...) Onde pára a ficção? A mesma interrogação se nos coloca perante um documento extraordinário que temos dificuldade em classificar. Será que o seu autor é o verdadeiro Pigmalião por quem esperavam os estudos moçambicanistas, tão apaixonado por si mesmo, pelo seu papel de agente duplo — nomeadamente ao serviço da polícia secreta da FRELIMO — e pelas mulheres, em geral, que, provavelmente, inventou um género novo: o relato político «erógeno» (e, por vezes, mesmo francamente pornográfico)?
O que é certo é que Dossier Makwakwa é um texto capital para conhecer a RENAMO, a partir do interior da própria organização, entre 1981 e 1987 (e também um pouco depois). Que eu tenha conhecimento, ninguém anteriormente descreveu de forma tão minuciosa a organização, as personagens e as actividades da RENAMO na África do Sul, em Portugal e na Europa ocidental.
Os retratos de um jornalista-espião que encontrei, de um romancista activista de extrema-direita, de homens de negócios repatriados de Moçambique, de ex-secretários-gerais da RENAMO assassinados e de uma quantidade de outros actores de maior ou menor importância, fascinados pelo mundo inquieto da luta anticomunista ou anti--imperialista da época, só podem ter sido pintados por alguém que tenha convivido intimamente com eles durante vários anos.
E esse alguém é o autor desta obra e antigo quadro da RENAMO. Dito isto, para um observador distante ou para um historiador pouco informado como eu, a impressão com que se fica pode resumir-se a uma única palavra: amadorismo de ambas as partes.
O que não seria dramático se, por detrás destas pantominas lastimáveis, não se escondesse a morte de centenas de milhares de moçambicanos, o saque e a destruição de um país frágil que ainda não se libertou verdadeiramente desta terrível guerra civil, ao lado da qual as guerras coloniais do passado, mais ou menos recente, parecem contos de fadas escritos por um contador de histórias ligeiramente alcoolizado. E isso é imperdoável, mesmo «no coração das trevas africanas», qualquer que seja a orientação política dos leitores desta confissão lúbrica, indispensável para conhecer a história recente de Moçambique. Será mesmo indispensável? Sim.
[Paulo Oliveira, Dossier Makwakwa. Renamo, uma descida ao coração das trevas, Europress, Lisboa, 2006, 367 páginas, com numerosas fotografias a preto e branco.]
HAMBANINE - ADEUS MOÇAMBIQUE

Naqueles tempos na Malhangalene...
Duas décadas de memórias de vivência em Lourenço Marques / Maputo, de 1960 a 1979, até quatro anos, pois, após a Independência.
História familiar sobrepondo-se ao desenrolar do panorama social e histórico e à adaptação dos novos tempos pós-independência (comemoram-se agora 50 anos).
PARTE – I 1960 – 1965. AQUELES DIAS NA MALHANGALENE - O TEMPO DA RUA DE FARO
PARTE – II 1965 – 1974. NAQUELES TEMPOS NA MALHANGELENE - O TEMPO DA RUA DE COIMBRA
PARTE - III 1974 - 1977. O TEMPO DA REVOLUÇÃO – DE LOURENÇO MARQUES A MAPUTO
PARTE - IV – 1978 – 1979. O TEMPO DA UNIVERSIDADE E DO PARAQUEDISMO. A DESPEDIDA
Pequena descrição: Antes que a memória se desvaneça… Deixo este registo da nossa vivência em África, da nossa família, amigos, vizinhos, colegas e conhecidos. Vivência passada maioritariamente na Malhangalene, em Lourenço Marques, hoje é Maputo, em Moçambique.
Longa descrição: Um registo da nossa vivência familiar em África. Vivência passada maioritariamente na Malhangalene, em Lourenço Marques, hoje é Maputo, em Moçambique, nas costas do Índico.
Neste meu terceiro livro publicado, a história que se narra é a nossa própria história, mas o cenário é o mesmo, África, Moçambique. Já antes editara o "Dossier Makwákwa - Renamo: uma descida ao coração das trevas" (2006), e O Mistério do Angoche (2020), este já em segunda edição.
Agora, são duas décadas de memórias que são aqui recordadas, da vivência em Lourenço Marques / Maputo, de 1960 a 1979 - até quatro anos, pois, após a Independência. A História familiar sobrepõe-se ao desenrolar do panorama social e histórico, e à adaptação rápida e necessária aos novos tempos pós-independência.
Os termos que utilizo são muitas vezes os que se usavam na época e no local. Sem qualquer racismo, isto, ou pruridos, quem me conhece sabe bem. Mantenho a escrita em português anterior ao acordo ortográfico.
Um escrito dedicado à memória dos meus pais, e aos meus irmãos, e a toda a família, e aos que nos acompanharam nos dias dessas duas décadas, amigos, vizinhos, colegas e conhecidos.
ISBN: 9789403840208 Edição: Bookmundo http://publishpt.bookmundo.com/books/22008835
Assunto: Literatura - Biografias e Memórias. Palavras chave: África, Portugal, Moçambique, colónia, independência, saudades, Maputo
Tamanho: Médio 1 (155mm x 235mm) Cor B/W Papel: Papel creme (Bookwove) Encadernação: Capa mole Acabamento da capa do livro: Mate (fosco)
Nº de páginas 532 Espessura do livro 26mm Peso do livro 795gr
MAK - OPERAÇÃO D7
Um romance de ficção política internacional. A acção decorre em Paris, Cairo e Mahalla al-Kubra, mais ao norte, e em Lisboa e Moçambique.
Mak, ele mesmo se define: `fui apanhado no gume da História'.
Partido entre dois mundos e duas épocas ele é alguém perturbado, demasiado perturbado. Perturbador, sobretudo. E conhece bem como usar essa faceta nos seus intentos construidos de uma amálgama de cinismo, loucura e aventureirismo, naquilo que, para ele, considera ser apenas a `verdadeira justiça'.
Teimoso e obcecado, extremamente convencido, consegue assim, e a partir do seu caso e trauma pessoais, aglutinar uma horda fanática e heterogénea em autêntica cruzada revanchista anti- francesa. Mak não deixa contudo de ser mordaz e acertar nalguns alvos `malditos', com ou sem aspas.
No fundo, será difícil dizer qual a faceta de Mak que sobreviveu a todo o ritual contado nestas páginas. Entre traficantes de armas e drogas, terroristas árabes, aventureiros e oportunistas de toda a espécie, Mak vai estendendo a sua teia implacável, de Paris a Lisboa, de Maputo ao Cairo.
Na Amazon, apresentação:
Mak - Operação D7, o terror desaba sobre a França
Dos livros que escrevi, o único que é um romance Na Amazon: Um romance quase profético escrito pelo autor aquando de uma estadia em França em 1997, quatro anos antes desse marco que foi o 11 de Setembro.
Um bando multinacional de 'revoltados', dirigido por um antigo cabecilha da guerrilha moçambicana, aglutina romenos, portugueses, magrebinos e egípcios, juram fazer a vida negra aos franceses.
Uma espiral alucinada que descamba num autêntico frenesim de violência. Islamismo, recalcamentos políticos e religiosos, imigração, serviços secretos, informadores e operacionais, cada um com as suas movimentações, fazem rolar este louco caleidoscópio bem actual, descrito de forma sarcástica ou mesmo cínica. Obviamente, 'politicamente incorrecto'!
O Autor
Após sete anos de envolvimento com o movimento de guerrilha moçambicano, o autor, Paulo Oliveira, abandona a Renamo em Outubro de 1987 por divergências quanto ao excessivo controlo sul-africano e à linha de actuação do grupo. Ainda em finais desse ano edita um primeiro número de um boletim independente sobre Moçambique e a África Austral. Em 14 de Março de 1988, e contando com uma certa liberalização do regime, regressa a Maputo, onde vive até finais de 1991.
Possuindo alguns conhecimentos e amigos no Cairo e, mais ao norte, no delta do Nilo, em Mahalla al-Kubra, e nos meios árabes da banlieu parisiense, o facto permitiu-lhe arranjar material para um romance de ficção, este ‘Mak: Operação D7’, que classifica, ironizando, como um ‘quase-manual de terrorismo’, escrito em 1997.
A verdade de toda essas histórias relatadas, onde mora ela? Poucos, muito poucos, que o conhecem bem, tentam explicar tudo de outra forma. Não, nem de um lado nem de outro, como sempre, jogou só por si e para si. A 'trip' africana apesar de tudo o que se noticiou e descreveu, não passou disso mesmo. Um acumular, uma soma de revanche, nostalgia imensa e um exílio da alma, urgente.
Às vezes é assim, procura-se um local de despojamento onde possamos renascer, um deserto para tudo esquecer e deixarmo-nos renovar nesse estado de contemplação. Acima de tudo, como garantem, um exílio da alma e do espírito. Ninguém poderá nunca explicar bem porquê, e ele não dirá nunca uma palavra. Sobre isto podemos estar certos.
Tamanho - Médio 1 (155mm x 235mm) Cor B/W Papel - Papel creme (Bookwove) Encadernação - Capa mole Acabamento da capa do livro - Mate (fosco). Nº de páginas 494 Espessura do livro 24mm Peso do livro 739gr
ISBN: 9789403840840 Edição Bookmundo, Lisboa, 2025. http://publishpt.bookmundo.com/books/22021973
Mak Operação D7 - Apresentação feita por um site de livros brasileiro

"Mak - Operação D7"
A apresentação deste meu livro escrito em 1997, surgida num site brasileiro, livraria online - https://proximolivro.net/operacao-d7-o-terror.../314864
*
Terror e tensão permeiam a narrativa de Operação D7: O Terror desaba sobre a França, obra intrigante de Paulo Oliveira que nos transporta para um cenário apocalíptico, onde a luta pela sobrevivência se torna frenética. Novos mundos se desenrolam nas páginas desse livro, capturando a atenção de quem não teme explorar os limites do medo e da resistência.
A história se desenrola entre sombras e segredos, revelando uma França assolada por uma onda de terrorismo sem precedentes. Oliveira, com maestria, entrelaça o suspense com uma profunda análise da fragilidade humana diante do horror. Os personagens são como espelhos despedaçados de uma sociedade em ruínas - cada um revela uma faceta diferente da condição humana, seja a coragem, a traição ou a desesperança.
Os leitores são submetidos a um efeito hipnótico que os faz questionar sua própria moralidade. Você pode sentir a adrenalina pulsando enquanto acompanha a jornada de heróis e anti-heróis que se debatem entre a vontade de lutar e a tentação de desistir. É impossível não se sentir imerso nesse turbilhão emocional, onde as lágrimas e o riso se entrelaçam em um dança macabra.
As opiniões sobre Operação D7 são polarizadas, refletindo a complexidade da obra. Alguns leitores se deliciam com a profundidade da trama e a forma como Oliveira aborda questões sociais e éticas, enquanto outros criticam a dureza de suas imagens e o ritmo, que pode parecer arrastado em alguns momentos. Mas não há dúvidas: cada um que compreende a essência do livro sairá dele mudado, provocando discussões acaloradas sobre o que significa ser humano em tempos de calamidade.
E assim, paisagens devastadas e explosões ensurdecedoras formam o pano de fundo para diálogos fervorosos e revelações dolorosas. É um convite, não apenas para ler, mas para sentir - sentir o peso da história, a urgência de cada ação, a profundidade de cada dor. No cerne da narrativa, uma crítica pungente à sociedade contemporânea, que se vê à mercê de nossas próprias criações.
O impacto desse livro não se limita somente ao entretenimento; ele nos faz refletir sobre os limites éticos e morais de nossas sociedades. O que você faria se estivesse diante do terrorismo? Como reagiria se seus entes queridos estivessem em risco? Essas perguntas assombram cada página, ecoando em cada canto de sua mente. Assim, ao terminar a leitura, fica a sensação de que a obra de Paulo Oliveira não é apenas uma ficção, mas um alerta ao mundo que habitamos.
Ao cruzar esses labirintos de emoções e dilemas, você não apenas lê, mas experimenta um chamado à ação. Afinal, somos todos parte da sociedade, e cabe a nós questionar, refletir e lutar por um mundo onde o terror não tenha espaço. Operação D7: O Terror desaba sobre a França não se limita a entreter; ele exorta, provoca e, acima de tudo, nos desafia.
📖 Operação D7: O Terror desaba sobre a França
✍ by Paulo Oliveira
À AVENTURA EM DOIS CONTINENTES
A acção deste escrito biográfico decorre em Paris, Cairo e mais ao norte, no Egipto, Lisboa e em Moçambique. 1991 / 1997 Após o mergulho nesse ‘Coração das Trevas’ em O Dossier Makwákwa, segue-se o ' À Aventura em Dois Continentes' - 1991-1997 - Sete Anos de deambulações e Apontamentos de Viagem.
(...) Lisboa - 22 de Outubro de 1991
Como é diferente este regresso a Lisboa. A saída da extensa e verde planura tropical, para viver de novo sob uma redoma acinzentada reflectindo montanhas de betão, se bem que o céu esteja límpido e cristalino nesta suave manhã de outono.
*
(...)
Paris - no rasto de Jim Morrison
Na sexta-feira levantamo-nos tarde. Ao fim da manhã vou de metro até ao Marais, o 4º bairro, ou ‘4éme arrondissement’, à Rue Beautrellies, 17, no local onde Jim Morrison morou os últimos dias da sua vida, e onde morreu, em 1971. Defronte ao prédio o restaurante onde tomara os seus últimos copos.
À tarde acompanhado da Célia, pelo Quartier Latin. Mais Saint-Germain e Saint-André. Câmbios, compras, este binómio mais uma vez. Saint-Michel… gostamos destes cantinhos de Paris.
Ao entardecer voltamos ao Marais, Bastilha, Feaubourg Saint-Antoine, e volto a embicar até ao restaurante junto à última residência de Jim Morrison, o vocalista dos The Doors.
- Beautreullis foi mesmo o ‘The End’ para o Jim… - explico à Célia.
Tem mais sentido vir aqui do que à campa dele no Pére Lachaise. Quebrou com tudo ele, com os amigos, com a sua Los Angeles – às vezes é preciso! Ou anteviu que, como cantor, já dera o máximo, e escolheu o retiro. E só queria que o deixassem sossegado agora, para escrever os seus poemas. Exilou-se em Paris, simplesmente.
Tudo mudou no restaurante onde Jim ia, o ‘Le Beautrellies’, no número 18 da rua homónima, restaurante remodelado, gerência idem, e há pouco tempo, pelo que lera na net. Não há muito, eram ainda os mesmos donos que aqui estavam em 1971, quando Jim se apagou naquela noite de 3 de Julho desse ano. Entretanto já passara pelas mãos de um jugoslavo que o cedera em 1996 aos novos proprietários que arruínam de vez os traços de Jim aqui deixados.
‘Internet?’ – pergunto se têm presença na rede, site. – Oui! – explica o novo dono, e que possuem até um servidor, mas nada os liga ao fundador dos The Doors. Limitamo-nos a umas cervejolas e regressamos à Gare du Nord.
(...)
*
Egipto, ao norte do Cairo - Mahalla al Kubra
(...) E hoje é também o dia, a tarde e a hora, o momento por fim, de eu e o Ahmed pormos as cartas em cima da mesa.
Quando o sol diariamente se ergue sobre o delta e incide aqui nos 31º de paralelo norte e a 31º a leste do meridiano de Greenwich, vem inundar de ouro todo este plaino verde húmido. Dezenas, centenas de milhar de braços escuros, tisnados, laboram nestes campos das margens férteis, este rendilhado de inúmeros capilares do sinuoso Nilo.
E toda esta luz que em torrente cai dos céus sobre a mansidão dos campos e das águas vem multiplicar-se em matizes de um laranja dourado sobre os biliões de pequenas partículas em suspenso na atmosfera. Um filete luminoso do astro-rei resplandece agora, preenche a sala do Meridian conforme se coa pelas longas vidraças, toca em cheio as costas do Ahmed em plena contra-luz, arranca-lhe halos de faíscas ao caracóis revoltos no cabelo e vem aflorar a alvura da mesa, o prateado dos talheres.
Tudo tão sereno… Todo este ouro e verde que nos separam da imensidão inclemente do deserto que se adivinha na lonjura a leste e a ocidente, e já nessas partículas mensageiras que espiralam na atmosfera. Mas Meridian, Mahalla Al-Kubra, Tanta, toda a região de Gharbia e do delta, o vale, é um oásis gigantesco que vive e corre a par do Nilo.
E ouço-o agora, mais alto, esforça-se por me arrancar ao sonho quase ébrio, ao eco interior desta paisagem e calma imensas, esplendorosas, de onde não quero acordar… fala-me de preços… Preços! – sento-me mais a prumo, palmas sobre o tampo da mesa…
- Eh Ahmed! Les gens sont pauvres… eeeh?! – ‘valores’, preços… este gajo quer-me ouvir e eu nem bebi assim tanto, uma ou duas Stellas para afogar o raio dos pombos inchados de arroz e especiarias. – Combien? Combien d’ argent? Pour les pauvres?!... – estou a espicaçá-lo. Parece mais mortiço o lençol de luz que lhe varre costados e cabelo e aflora as mangas do pull-over avermelhado. Mas ainda contra-ataca, este gajo.
– Maria?! Paul! Maria? Tu parles avec Maria, oui ?!... Tu as parlé… Tch ! Tch ! – parece um comboio a iniciar a marcha.
- Oui?! - Probléme?
- Non, Monsieur Charlie… Maria elle est… - parece engolir em seco o jovem árabe.
- Est qui? Toi, dit! Qu-est-ce que tu veux ? Hein ? Toi, ‘les gens sont pauvres sont pauvres ! Merde ! Putain ! Tu veux me faire la tête ? C’est ça ? Alors, et Monsieur Youssef ? Qu’est-ce q’ on fait sur lui ? – eu a falar sobre o José Clemente, nas nossas relações e ralações comerciais, ele continuava a bordo desta carroça, até quando?
Claro que o Ahmed pelo que sinto estará logo disposto a aceitar troca por troca – que eu deixe cair a Maria que ele não se importará nada em arredarmos o Clemente na componente lisboeta. (...)
Edição Bookmundo, Lisboa, 2025 ISBN: 9789403840611 http://publishpt.bookmundo.com/books/22021053
Tamanho Médio 1 (155mm x 235mm) Cor B/W Papel Papel creme (Bookwove) Encadernação Capa mole Acabamento da capa do livro Mate (fosco)
Nº de páginas 180 Espessura do livro 10mm Peso do livro 282gr
UMA DESCIDA AO CORAÇÃO DAS TREVAS

O livro relata toda uma manipulação inerente aos processos militares e políticos que entranham esse coração das trevas do grande continente negro.
Não faltam referências ao sombrio papel desempenhado pelas autoridades e serviços militares de informação portugueses - a DINFO - e os seus agentes no terreno, procurando ombrear com a AMI sul-africana, o BND da Alemanha Federal e outros.
Das matas africanas a acção salta para Portugal e Europa ocidental, e toda a trama envolvente, redundando quatro anos depois num regresso a Maputo, após a morte ‘acidentada’ de elementos da delegação em Lisboa, incluindo um antigo embaixador moçambicano, bem como o fim misterioso de Samora Machel - aqui também analisado - e toda a subsequente transformação do regime.
No regresso a Moçambique em 1988 o autor reencontra um país que nada tem a ver com a terra que antes conheceu, tudo não passa de um tremendo murro nostálgico, numa terra entretanto coberta pelo denso manto da corrupção.
Uma cidade bela, plena de memórias, mas que asfixia, totalmente cercada pela guerra.
Tudo isto jorra impetuosamente em linguagem escorreita, por vezes ácida, mordaz, a roçar o cinismo.
*
Assunto: História e Política - Biografias e Memórias
Palavras chave: Moçambique, guerra, política, África, terrorismo, conspiração, guerrilha
Pequena descrição: Moçambique. Assassinatos políticos, terrorismo, massacres, (des)informação, rapto de portugueses e soviéticos, contactos com o KGB, tudo pulula nesta obra. Ainda a vivência com o presidente da guerrilha, execuções sumárias, traição, espionagem e mistério.
Tamanho Médio 1 (155mm x 235mm) Cor B/W Papel Papel creme (Bookwove) Encadernação Capa mole Acabamento da capa do livro Mate (fosco)
Nº de páginas 515 Espessura do livro 25mm Peso do livro 771gr
Edição Bookmundo, Lisboa 2025. ISBN: 9789403856278 http://publishpt.bookmundo.com/books/22022574
AS CÁLIDAS ÁGUAS DA CATEMBE

O Descanso do Guerreiro. Ou, Doces batalhas debaixo de saias. Complementa a história dos dias desde que em Março de 1988 regressei a Maputo. Isto, após a vivência com a guerrilha moçambicana, nos escritórios em Pretória, no mato na África do Sul em ‘bases de comando recuado’, e em démarches jornalísticas e de representação na capital portuguesa.
Depois das ‘batalhas’, aterra o sossego, o descanso... Tempo para a escrita e para a Memória.
No regresso, a Moçambique, venho reencontrar afinal um pais que nada tem a ver com a terra que antes conheci, tudo não passa de um tremendo murro nostálgico, numa terra entretanto coberta pelo denso manto da corrupção.
Uma cidade cercada pela guerra, entorpecida pelas cálidas águas da baia, e onde não faltam as muitas tentações das sensuais e tórridas mulheres moçambicanas. É também uma curta e singela homenagem, na medida do possível, a todas as namoradinhas deste período 1988-‘91 que encontrei em Moçambique, e de certa forma marcaram essa fatia da minha vida.
Tudo isto jorra impetuosamente no livro, em linguagem escorreita, por vezes ácida, mordaz, a roçar o cinismo. Em suma, um escrito cru, puro e duro.
Assunto - Literatura - Biografias e Memórias
Palavras chave - Moçambique, sensualidade, erotismo, Maputo, África, aventura, política
Pequena descrição - As Cálidas Águas da Catembe... Ou chamem-lhe, se quiserem, O descanso do Guerrilheiro - Doces guerrilhas debaixo de saias... Um delírio que se liberta num rol de pequenas histórias.
Tamanho - Médio 1 (155mm x 235mm) Cor B/W Papel Papel creme (Bookwove) Encadernação Capa mole Acabamento da capa do livro Mate (fosco) Nº de páginas 160 Espessura do livro 9mm Peso do livro 253gr Edição Bookmundo, Lisboa 2025. ISBN: 9789403851198 http://publishpt.bookmundo.com/books/22030584



























